Sejam bem-vindos e bem-vindas à retrospectiva do nosso ano de lutas e construções coletivas! É com imenso orgulho que a Escola Nacional Paulo Freire (ENPF) apresenta o seu Boletim Anual 2025. Neste documento, reunimos as principais memórias dos nossos cursos, oficinas, formações e parcerias com os movimentos sociais que fazem o dia a dia da nossa instituição acontecer. Da integração latino-americana ao combate à fome, da formação da juventude ao resgate do pensamento freiriano, convidamos você a mergulhar nas experiências que reforçam o nosso compromisso diário com a educação popular e a transformação social. Boa leitura!
Curso de Realidade Brasileira (CRB): Indústria e Soberania Nacional
O CRB “Trabalho, Indústria e Desenvolvimento” da Escola Nacional Paulo Freire (ENPF), criado em 2002 por movimentos sociais, é vital para estudar a realidade e buscar a transformação. O curso é uma parceria estratégica com grandes organizações da classe trabalhadora, como sindicatos metalúrgicos e o MST. Seu foco atual é analisar o papel da indústria e a política governamental “Nova Indústria Brasil”, que muda o paradigma de desenvolvimento setorial para o de missões. O objetivo é qualificar educandos para compreenderem criticamente o tema. O conhecimento visa formular uma proposta popular para a indústria e garantir a soberania nacional.
A partir dessas experiências no ramo popular, o Curso de Realidade Brasileira provoca a refletir em diversos setores da sociedade nos quais, normalmente, acabam sendo invisibilizados. Seja pela grande mídia, seja pela correria do cotidiano.


Integração Latino-Americana: Encontro Estratégico com o CEAAL
Entre os dias 04 e 08 de agosto, a equipe de educadores e educadoras da Escola Nacional Paulo Freire recebeu o CEAAL – Conselho de Estudos Estratégicos da América Latina, que se reuniram para revisar seus mandatos políticos, pedagógicos e organizacionais. Elegemos a nova Equipe de Coordenação Estratégica do CEAAL para os próximos quatro anos, de 2025 a 2029. A partir desse planejamento, movimentos sociais como Levante Popular da Juventude e Movimento Brasil Popular, MST entre outros, se somaram nessa tarefa que acarreta num futuro mais emancipador e decolonizador da América Latina e países caribenhos.


Oficinas de Formação: Práxis e Leitura de Mundo
No dia 12/08, ocorreu a oficina de educação popular com Frei Betto, teólogo da libertação, escritor e ativista social brasileiro. A formação interna vem de umas das iniciativas da Escola Nacional Paulo Freire no intuito de analisar e questionar o modo de sistema. Contamos com alguns parceiros como o Coletivo Popular Peabiru, Levante Popular da Juventude e Movimento Brasil Popular.
No dia 01/07, ocorreu a oficina sobre Paulo Freire e Pedagogia do Oprimido com Luiz Bulgarelli facilitando a leitura de um dos títulos, senão o mais famoso daquele que nomeia nossa escola. A formação foi pensada para um público tanto interno (trabalhadoras e trabalhadores da escola) quanto para um público externo (movimentos e amigos da escola). Contamos com alguns parceiros como educandos do cursinho Luiz Gama, Levante Popular da Juventude e Movimento Brasil Popular. Esse momento de formação foi importante para a continuação de determinadas práticas da escola, por Frei Betto ser referência no assunto já que, no passado, ajudou a construir a educação popular em Cuba ao lado de Esther Perez.



Cozinhas Solidárias: O Combate à Fome em Parceria com o MDS
O curso piloto é uma iniciativa do Programa Cozinhas Solidárias, pertencente ao Ministério do Desenvolvimento Social e é um dos 3 pilares do programa. O curso ocorreu em 3 estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
A partir desse contexto a Escola Nacional Paulo Freire surgiu como um aliado, já que, para além do espaço ofertado para a formação, contamos com a Cozinha Popular Escola Nacional Paulo Freire, onde são feitas refeições (chamados marmitaços) para os territórios próximos à escola e para o cursinho Popular Ruth Guimarães, alimentando em média 50 a 60 pessoas por dia e, em cada marmitaço, mais de 250 marmitas distribuídas.
A formação contou com um documentário sobre a importância dessa política pública, uma ampla escuta das cozinheiras que atuam nos territórios onde acontecem as cozinhas, democratização de boas práticas de cozinha, noções sobre alimentos como a substituição de ultraprocessados e alimentos orgânicos.



Projeto Escola Viva: Ocupando Espaços e Semeando Solidariedade
Uma das iniciativas destacadas para a escola era a necessidade de que o espaço fosse mais ofertado e movimentado por mais pessoas, seja da comunidade ao lado ou para além do cursinho Ruth Guimarães. Junto com o Levante Popular da Juventude, construiu-se então o Escola Viva, uma intenção concreta a partir de formações e entendimento da cultura no ambiente e as expressões do território urbano.
Ainda realizamos a campanha do Natal Sem Fome 2023 junto com os movimentos populares para arrecadar cestas de Natal a serem entregues em cinco territórios das periferias de São Paulo. Além disso, também vai ocorrer o lançamento de duas cozinhas solidárias. As atividades estão previstas para acontecer entre 16 e 18 de dezembro e todos são convidados a participar.








O Mês de Aniversário e o Aguardado Curso Paulo Freire
O curso se tornou o momento mais aguardado da escola, já que vai de encontro com o mês de aniversário de Paulo Freire e fundação da escola. A formação trouxe diversos aspectos positivos para a escola, entre elas novas interações com instâncias populares, como cursinhos, movimentos e até mesmo educandos de outros estados para esses 3 dias.
E então, observou-se uma solidez na comunicação via redes sociais e um engajamento nos grupos de WhatsApp, evidenciando um interesse pelo o que cerca Paulo Freire e seus estudos. A partir dessa experiência, o setor pedagógico recebeu diversos pedidos, entre eles, como grupos de estudos sobre a temática e cursos com menor espaço de tempo. Esses retornos foram importantes para definir quais linhas da educação o setor poderia explorar para conectar ainda mais o público à escola.

No primeiro dia, recebemos convidados ilustres como Regina Inês, que coordenou a Diretoria Técnica de Educação de Adultos no governo de Luísa Erundina, e Meiry Venci Chieffi, que também estava no governo Erundina e que foi coordenada por Paulo Freire na equipe de orientação de divisão técnica no ensino fundamental. Para além dessas figuras ilustres, recebemos também Luiz Bulgareli, que é grande estudioso da pedagogia freiriana, e mostrou como a escuta é o fato decisivo na hora de pensar educação popular.
Além dele, recebemos também Simone Magalhães, do setor de internacionalismo e do coletivo Raça e Classe, do Movimento Sem Terra. Claro, esse curso foi muito bem colocado graças à Escola Nacional Florestan Fernandes e Linhas de Sampa, que se somaram nessa missão como agentes importantes no processo da comunicação e participação do evento. A educação popular acontece quando há não somente um, mas todos se colocando à disposição de ajudar por um bem comum, como foi o caso.


Arte, Memória e Transformação: Lançamento da Revista TI.JO.LO
A revista contou com diversos textos, onde sistematizava as iniciativas feitas por cada trabalhadora da escola. O processo de escrita nos induziu a lembrar de diversos momentos em que, enquanto militantes ou coletivos, atuamos com o povo. A partir daí, a revista foi tomando forma, no entendimento de que cada experiência precisava ser contemplada do poder popular.
A partir da escrita, houveram longas recordações e renovações da mística, mostrando o porquê a Ti.jo.lo, para além de uma revista feita por uma escola de formação, é um instrumento de transformação social. A partir da construção da Ti.jo.lo, tivemos então um momento de celebração com um mural muito bem construído, mostrando as obras dos artistas selecionados para a revista, desde poemas, fotos, citações, tudo que contemplasse o tema “porque se chamavam homens, se chamavam sonhos e sonhos não envelhecem”, estrofe tirada da música Clube da Esquina nº 2 do Lô Borges. O evento contou com a participação dos artistas, convidados e do deputado Alencar Santana.






Escola Nacional de Formação Emerson Pacheco: Turma Catu (Levante São Paulo)
A formação tem uma importância digna para o Levante Popular da Juventude, já que é voltada para o aprimoramento de práticas do centralismo democrático para os militantes, permitindo democratizar o acesso à educação popular por meio da prática emancipadora.
Diante desse contexto, o curso possuiu 2 módulos onde o entendimento da realidade e a práxis (teoria e prática andam juntos) são princípios fundamentais desta formação. O curso contou com convidadas e convidados especiais, como Eliane do MST, Rafael, Livia Ventura do setor internacionalista, entre outros companheiros que possuem bagagem histórica para compor as mesas de debate da formação.
Como uma das bases do campo popular é o debate, o grupo se dividiu em núcleos de base, a partir da tarefa solicitada pelo convidado, e então debater as visões pessoais sobre a conjuntura política atual e entender qual é a tarefa histórica da juventude. Para além disso, no último dia de formação houve oficina do setor de Agitação e Propaganda para confecção de blusas no método de serigrafia em homenagem a Catu, militante mártir do movimento e que deixou uma frase de luta para sempre renovarmos a nossa mística: “Eu sinto a fúria em meu coração que clama por amor e revolução”. Assim, terminamos esse projeto popular para a juventude, entendendo que a revolução começa no coletivo.









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